7 de Setembro

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As colunas do jornal 19 de Julho são escritas na segunda feira. Enquanto escrevo essas linhas, percebo uma expectativa no ar com relação a manifestações na terça, data entre a edição e a publicação do jornal. É o dia da independência, tradicional dia de desfiles, e são esperadas manifestações contra e a favor do governo.
Nos meus tempos de infância, tempos em que o Brasil não era democrático como nos padrões de hoje, a data era muito importante. A criançada era treinada a desfilar, todas as escolas desfilavam, havia bandas, e era um dia especial. Havia quem gostava e quem não gostava. Tanto rebeldes por natureza como rebeldes políticos. Ou, do outro lado, favoráveis ao modelo como os ordeiros por natureza. Mas acredito que quase todos adultos da minha geração lembrem esses desfiles, e tenham até fotografias suas em uniformes alinhados.
Hoje mudou. Já faz tempo que as escolas não desfilam. Esse ano, temos uma situação pesada entre os três poderes constituídos da República. Um clima de tensão no ar. Nada parece estar bem. De minha parte, vejo uma coisa positiva: a vacinação ganhou muita força, e a pandemia de covid-19 está perdendo a força. O que leva a uma constatação: precisamos arrumar a casa. Perdemos muita gente, o que é muito triste. Mas, para os que sobreviveram, há uma necessidade urgente de refazer a economia, os empregos e a renda.
Nosso país parece viver eternamente em disputa eleitoral. Enquanto nos cuidamos do vírus, assistimos anulações de investigações, outras investigações, CPIs, atos impulsivos, acordos e desacordos. Atitudes que levam a uma descrença nas instituições, insegurança quanto ao futuro e uma incapacidade de escrevermos nossa história. Parece que o Brasil nunca tem uma resposta definitiva para seus problemas, e essas indefinições causam insatisfação e protestos são consequência disso.
Aqui chegamos, e precisamos entender que protestar faz parte da democracia. Ainda que não seja um momento tranquilo, é de se esperar racionalidade entre aqueles que protestam e, principalmente, entre as autoridades. Lembremos a história, é importante. Entramos na pandemia com uma conta enorme a pagar, o orçamento da nação estava terrivelmente negativo. Nesse período que, esperemos, esteja no fim, tudo ficou muito mais difícil. Agora é hora de resolver o problema. Achar soluções. Pensar na população. É hora de entendimentos, e não de disputas.