CISMAS (Coluna de Opinião)

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CULPADOS?

         É uma grande verdade: as marcas estão em todos os lugares, nós sabemos disso.

         Também é verdade que o que está no horizonte são as perdas de muitas vidas, infelizmente, como as perdas materiais, como as recordações dando adeus, como um passado que foi por entre as águas barrentas dessa enchente, e nós também sabemos disso.

         Estão lá e estarão por muito tempo os vestígios físicos da fúria das chuvas, das águas, dos rios…

         Da emergência climática que assolou nosso querido e estimado Estado do Rio Grande do Sul, disso ninguém tem dúvidas.

         São cicatrizes que ficarão marcadas na pele, no íntimo, na memória de cada gaúcho para sempre, mas também neste povo brasileiro solidário, que não mede esforços para nos ajudar.

         A lama vai desaparecer, vão ser limpas as madeiras, as alvenarias, ah, isso vão, não temos dúvidas nenhuma, mas, as marcas invisíveis não e, sabemos disso também.

         Lições?

         São muitas.

Daí, então, começam os apontamentos das falhas grosseiras e imperdoáveis no sistema anticheias, pois que em setembro/2023 e novembro deste mesmo ano, aconteceram tais fenômenos e os fatos deveriam ter sido computados para evoluirmos nesta questão, e não foram.

Também é verdade.

Tenho a impressão de que desta vez, e contundentemente, os envolvidos vão ter que buscar caminhos para que tudo isso, logo ali e num futuro muito próximo, tenha como ser prevenido…é o que queremos acreditar.

E os culpados? Existem? Quem são? Onde estão ou estiveram?

Acredito que não é hora de apontar culpados, e sim, estamos na hora de resolver a situação do momento e encontrar soluções viáveis.

Os culpados não são este ou aquele governo, esta ou aquela pessoa, mesmo porque desde 1941, quando da última catástrofe de águas em nosso Estado até os dias de hoje, quantas administrações se passaram? E o que fizeram? Seja no Estado, nas prefeituras, seja onde for…

Mais ainda: jamais e em nenhum momento ninguém teve, tem ou teria a capacidade de prever tamanha tragédia climática como essa que assolou nosso Estado.

Ou algum de vocês teria, tem ou teve?

Se teve a capacidade de prever, ou tem, vai essa aí: “Se você está chegando para criticar o que foi feito ou deveria ter sido feito, está chegando tarde, muito tarde. Deveria ter chegado mais cedo para fazer.”

Prezados amigos e amigas, estamos todos no mesmo barco.

Na verdade, a culpa é de todos nós, pois esta tragédia que desembocou em solo gaúcho deveria ser atribuída ao nosso descompromisso por décadas a fio com o meio ambiente.

Estamos personagens em uma história, em um fenômeno que nunca existiu e nunca e ninguém imaginou, portanto não tinha como prever nada perto disso e, consequentemente, não existem culpados.

É evidente de que investimentos de grosso calibre terão que ser efetivados, de que estudos deverão vir aliados com a ciência, de que departamentos, equipes, consultores ou aquilo que você queira atribuir, deverão existir para monitorar diariamente as condições climáticas, do planeta, mas, principalmente do Brasil e em solo gaúcho, não restam dúvidas.

Mas, culpados?

Vocês não acham que temos é que resolver a situação de nossos conterrâneos e, logo ali, achar soluções para tanto?

O planejamento, mal ou bem, existia, e existia apenas para aquilo que conhecíamos e, mesmo assim, oitenta e três anos atrás e, nunca pensaríamos que o raio cairia três vezes num período de apenas sete meses.

Amigos e amigas, condescendência é o mesmo que complacência, que transigência, é benevolência.

Adelante Rio Grande do Sul!