Uma história de depressão

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Era um filme, na verdade um documentário. Tratava do exagero no consumo de
bebidas alcoólicas. E uma das histórias foi sobre uma mulher. Não era no Brasil. A mulher
estava divorciada, na casa dos quarenta anos, um casal de filhos adolescentes que viviam com ela. Seguidamente, nos fins de tarde, ela e um grupo de amigas se encontravam para falar da vida e tomar um vinho.

Só que a mulher da história não conseguia se controlar, e acabava bebendo demais.
Sempre. Então, no documentário, ela dizia que gostaria de beber menos. As amigas achavam que ela deveria beber menos. E conversavam sobre isso, nessas reuniões. Tomando um vinho, claro. A mulher se queixava que o marido a havia trocado por outra, mais jovem. E que então sua vida era infeliz, que não conseguia ver futuro para ela, e que se mantinha porque tinha os filhos para criar.

O documentário não era sobre cura. Era sobre circunstâncias. E terminava a história
dessa mulher do mesmo jeito que iniciara, sem uma solução.
Faz pensar. Afinal, a vida era sombria para a mulher. Que acabava bebendo demais. Ela
gostaria de beber menos. Sabemos que isso é muito difícil, para não dizer impossível. Pessoas que não controlam a vontade de beber, não devem beber. Assim, esses encontros semanais não ajudavam a controlar a bebida. Não é uma coisa boa, para uma mulher, ser trocada por outra mais nova. Mas o marido, perguntado por qual razão havia trocado, disse que a mulher só bebia.

Um diálogo impossível, o desse ex-casal. Egoísmo muito presente aqui. Enfim, em briga
de marido e mulher não se mete colher. Mas tinha os filhos. E filhos são dádiva. A mulher não se queixava de falta de dinheiro, mas era magoada porque foi trocada e não tinha perspectiva de futuro. E bebia demais.

Já dizia um neurocientista que nosso cérebro monta uma história da nossa vida. Com
base nessa história aprende e grava. Cada um faz a sua. Olhar a vida dos outros sempre é mais fácil que viver a nossa. Por isso, assistindo ao filme, fica a impressão que a vida da mulher não era tão ruim como ela pensava. A história dela que não era muito boa. Mas tem todo o tipo de gente no mundo. Alegres, dramáticos, egoístas, e tantos outros.

No fim das contas, o documentário apresentava casos de pessoas que bebem demais.
Como esse, que relatei. Isso que é errado. Porque abala a saúde. A maneira como ela lidava com a situação não estava resolvendo. Já dizia um sábio que não se resolve um problema sem mudar de tática. Nesse caso, era preciso ajuda especializada. Essa sim, pode resolver.