Olha só como são as coisas…mesmo que se vá de um município para outro, ainda assim, as histórias populares rolam soltas.
Coisa linda é o folclore, as histórias, os flagrantes da vida real que existem por aí.
É cultura popular pura e simples, sensacional.
É a essência do povo, a transmutação das palavras que invadem o cotidiano, criando histórias hilárias, fantasiosas ou não, mas populárias e caminhantes em busca da eternidade de um lugar.
Extasiantes.
Cada vez que as escuto ou que me contam, tudo isso me encanta e nutro uma grande satisfação de repassá-las, porque “a vida tem que andar”, e elas (as histórias), são também o pulsar da alma e do coração, embevecidos pelos flagrantes do dia a dia.
– O SINIMBU JÁ PASSOU?
Esta história vem lá da nossa querida Santa Cruz do Sul-RS, apelidada aqui por muitos de a “Alemanha”.
Para que todos entendam, Sinimbu-RS é uma cidade vizinha de Santa Cruz do Sul-RS e, que, infelizmente durante as enchentes, ficou praticamente arrasada.
Sabe-se, quanto a isso, de que a “mão-amiga” daqui de Encruzilhada do Sul, neste advento, esteve por lá, emprestando solidariedade.
Mas, enfim…lá nos tempos de antigamente existia (e ainda existe), uma linha de ônibus que levava (e ainda leva) os passageiros de Santa Cruz do Sul para Sinimbu.
A grande maioria dos colonos que vinham à Santa Cruz do Sul para fazer as suas compras, visitar os médicos, ou tratar de assuntos outros, também gostavam (tirem as crianças da sala…) de um “schnaps”, como muitos de nós também gostamos.
Pois conta esta história de que, a linha Santa Cruz do Sul/Sinimbu tinha como trajeto principal a extensa Avenida Independência (para quem não conhece a cidade, é a avenida que leva até a Unisc) e, ali, haviam muitos bares/bodegas.
Pois bem, a turma dos que tinham ido aos bancos, feito suas compras, terem consultado médicos e dentistas, além do rancho, é claro, e que, gostavam de um “schnaps”, sempre era tempo de…
Quando iam “tomar” o ônibus para voltar para casa, ao adentrarem em algum bodega ou bar, sempre perguntavam para o ‘bodegueiro”:
– Já passou o Sinimbu?
Ao que o dono do bar respondia:
– Ainda não!
Então, o nosso amigo, passageiro do ônibus para Sinimbu, respondia:
– Se não passou, então me dá um “schnaps”!!
E ficava ali bebericando sua bebidinha…
Ao passo que o bodegueiro, quando o Sinimbu passava, e carregava todos os seus fregueses de e para Sinimbu, dizia aos poucos fregueses que ali ficavam: – Agora que o Sinimbu passou, quem vai tomar um “schnaps”, sou eu!
O “Sinimbu” era o parâmetro para se tomar um “schnaps”, quer não tivesse passado, quer já tivesse tomado o seu rumo.
Por essas histórias que, nos dias de hoje, é comum os santa-cruzenses e sinimbuenses desejosos de um “schnaps”, perguntarem uns para os outros:
– JÁ PASSOU O SINIMBU??
Então…
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