Urubu e parapente

0
104

Em Nova Petrópolis, na serra gaúcha, tem uma pista de decolagem de voo livre. No ultimo final de semana estive lá, e vi uma decolagem de parapente, fato que nunca havia presenciado. Para quem não conhece, parapente é uma espécie de para quedas, mas com capacidade de voar nas correntes de ar quente, permanecendo muito mais tempo em voo que os para quedas.

É muito bacana ver a decolagem, e o vôo. Porque nem precisa correr. Só ficar parado na rampa e virar para o vento. O local da decolagem apresenta uma visão muito bonita. É bem na ponta de um morro alto, de frente para um vale. Se pode ver, lá em baixo, as estradas, casas, lavouras, estufas de plantação de hortaliças e morangos. Ali se formam as correntes de ar quente que sustentam os parapentes.

Achei muito interessante uma breve conversa que tive com o piloto que iria decolar. Porque ele me explicou alguns dos macetes do vôo. É preciso observar os pássaros. Principalmente os urubus, que voam mais ou menos da mesma forma que o parapente. Graças a eles, é possível perceber para que lado os ventos estão soprando, nas diversas altitudes, e também onde estão as correntes ascendentes, que levam para cima. Elas normalmente estão onde os urubus voam.

Muito interessante. Também observam as nuvens de verão, essas que parecem uma bolota de algodão. Geralmente estão na mesma altura, e essa altura é o limite das correntes ascendentes. Formam alinhamentos, como se pode observar, e esse alinhamento determina uma espécie de avenida de vento, onde é possível fazer um deslocamento rápido.

Foi isso que aprendi. Deve haver muitas outras particularidades nos vôos livres, sem motor. Mas achei muito bacana essa interação necessária com os fenômenos naturais e também com o comportamento das aves.