AGENDA l Sei lá o que acontece…

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Lá em junho/2021, eu escrevia a crônica “Coisas da Quarentena” abaixo citada, que provavelmente vocês não vão se lembrar, sobre as loucuras da quarentena que a pandemia nos ocasionava.

Estou chamando de “loucuras”, mas também sei que dificilmente as pessoas possuem tempo para tanto…digamos que foi coisa de aposentado em retiro no seu abençoado lar…

Eis um pouco do que eu escrevi:

“…Estava eu colocando a espuma de barbear no rosto e, notei que o conteúdo do frasco chegava ao seu fim.

Olhei para aquele tubo cinza-azulado, bonito, bem-produzido e, que me foi companheiro por um largo tempo, mas, que estava chegando ao seu fim…era chegado a hora de jogar ele no lixo (afinal de contas, é o que normalmente se faz), da separação, havia ali um sentimento de perda, de finitude, de nunca mais…não, não vou ter coragem…”

Falava então, de um tubo de creme para barbear que estava chegando ao seu final e, a separação era eminente, pois seu fim, como é normal acontecer, era terminar na lata de lixo seco, é bom que se diga.

Aqui em casa temos “a mania” de separar os lixos entre orgânico e seco, em parceria com a natureza, nossa amiga sempre e de longa data.

Mas, isto é assunto para outra oportunidade.

Pois falávamos do tubo que chegava ao fim e, que a tristeza de jogá-lo fora me tomou de sobressalto.

Sim, era coisa de quem já estava há mais de um ano e meio encerrado em casa, obedecendo as normas rígidas dos profissionais da saúde, quanto a pandemia.

Normas essas que foram fundamentais para todos nós, diga-se de passagem.

Para encurtar o caso, dia desses coloquei uma camiseta para assar um churrasco aqui em casa e, levei uma sonora vaia da Mariana e da Lena.

Tínhamos visitas e, na hora elas não falaram nada, mas depois veio a carraspana…

Pois é, mas eu envergava uma das minhas camisetas preferidas, velhinha é bem verdade, mas as coisas velhas que estão conosco já de algum tempo, são as melhores, lembrem-se disso.

E lá estava eu, bem faceiro, assando a minha carne com a minha camiseta…

Resumo da ópera: fui formal e peremptoriamente obrigado a me desfazer de minha estimada camiseta.

Confesso mais uma vez…ela tinha lá os seus “furinho e manchinhas”.

E agora, como faz?

Pois foi então que lembrei-me do tubo de creme de barbear…e cheguei à conclusão que isto já não é mais coisa de quarentena…acho que vou ter que procurar ajuda…pois a tristeza esta me consumindo e, ainda não tive coragem de jogá-la fora.

– Vai virar pano de chão! – me disseram, como se fosse um grande alento…a coisa mais comum da vida…

         Não, não é assim que as coisas funcionam. Não comigo.

         Não tem como eu deixar a minha velha companheira virar pano de chão, isto está fora de cogitação…, contudo, a família em plebiscito assim decidiu.

Não tenho saída. Democracia, sabe como é?

         Sinto-me triste e cabisbaixo…cada vez que olho para ela, uma profunda melancolia me envolve.

         Mas, infelizmente, vai chegar o momento da nossa separação, disso eu não tenho nenhuma dúvida, contudo, estou pedindo um tempo, somente um tempo para eu admitir a ideia e, tomar a devida coragem.

         Enquanto isso, ela dorme serena e pendurada, ao meu lado, num cabide, sem nem mesmo desconfiar da própria sorte…pano de chão…

         Ah, minha amiga…