Ainda dá tempo

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A PEDIDO

 AINDA DÁ TEMPO…

         Penso que a vida pode ser diferente, e, ainda dá tempo para que novas atitudes venham de encontro aos anseios de mudança, necessários.

         É preciso desacelerar mente e espírito.

         Vivemos em turbilhões diariamente, sejam eles qual forem, sem percebermos de que a “conta” está logo ali, ao dobrar da esquina.

         Dê-se a vida.

         Busque o interior de você, nas sombras frescas da sua imaginação.

         Embrenhe-se na mata, respire o ar puro, sente-se no chão úmido da relva, entre folhas amareladas, no eupático capim verde e, compasse o coração ao tempo da natureza.

         Observe-a,

         Ao seu lado, estarão por companhia o verdejante das árvores nativas, o canto dos pássaros, e a correnteza mansa de um rio como acalanto para a alma.

         Por vezes, é preciso parar.

         Respirar.

         Encoste seus pensamentos na fortaleza do Angico que paira em sua frente, imponente na sua cor bege-clara e acinzentada, e busque guarida.

         Sim, ele nos dá a excelente madeira para aquecermos os nossos corações nos dias de frio, e, até os delicados instrumentos musicais.

         As nossas matas ciliares são pródigas.

         Você só precisa de um tempo com ela e, com você.

         Aproveite-as.

         Veja que ao lado, logo em frente, nem se passou cinco minutos de suas reminiscências e, entre os pensamentos que recostado ao Angico, lhe percorrem, se pode notar que existe olvidado, um Tarumã, onde pouca gente sabe que também é chamado de “azeitona do mato”.

         Você sabia?

         Ah, vamos buscar na história, de que os índios tupis-guaranis assim o chamavam, pois o significado quer dizer: fruta escura de fazer vinho.

         Amenidades, é disso que precisamos.

         Estar mais junto da natureza que é de Deus.

         O tempo se desliga da vida cotidiana e, a mata silenciosa, quebrada pelo canto ao longe de algum sabiá, nos dá o tempero exato destes momentos da mais pura reflexão.

         Você não está só.

         Nunca esteve, pois uma Canela de folhas verdes vistosas, magistral e sublime, se opõe ao teu fitar, longínquo e fugaz.

         Distante em sua introspecção, o cantar airoso do inhambu, ou nambu, ecoa como um embalo aos seus sonhos, num pertencimento da sua prazerosa presença.

         Difícil o nambu de ser visualizado, como quimeras, mas suas notas musicais enebriam ainda mais a vertigem de que a mata nos traz.

         Deixe seu olhar e pensamentos se encharcarem de lonjuras.

         Na leve distância, um Açoita Cavalo, “o çoita”, surge com seu tronco tortuoso, pardo-acinzentado-escuro, donde sua importância nos reflorestamentos, dizem da sua dimensão em consonância com a vida.

         Assim como ele e diferentemente de posição, ele nas matas sossegadas… serve de exemplo para nossas vidas corridas.

         Com sorte, e o jasmim-dos-poetas (jasminum-officinalle), enroscado na bergamoteira escondida, nos trará o doce aroma de que precisamos para revestir nossas atitudes.

         “Sempre resta um pouco de perfume nas mãos daqueles que oferecem flores…”

         Ainda dá tempo.

         Tempo para nos refazer, tempo para nossas vidas, tempo para nos embrenharmos nas matas e, com açoitas, canelas, angicos, tarumãs e jasmins, ao som de nambus e sabiás, perceber que a vida é muito mais do que imaginamos.

“Nós temos duas vidas e a segunda começa quando você percebe que você só tem uma…” – Mário de Andrade

Dê-se a sua existência e na vitalidade dos seus dias, enquanto é tempo.

         Na bucólica relva úmida, entre as folhas amareladas e o eupático capim verde em sua companhia, Deus saberá escutar os teus silêncios.

         Sorria e viva feliz!