Aprendendo a envelhecer

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o número de pessoas com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões de pessoas até 2050; isso representará um quinto da população mundial.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil, em 2016, tinha a quinta maior população idosa do mundo, e, em 2030, o número de idosos ultrapassará o total de crianças entre zero e 14 anos.

Projeções realizadas pela SeniorLab, consultoria de mercado voltada ao público mais maduro, detectou que o dia 7 de outubro de 2019 marcou uma virada demográfica histórica no Estado.

O número de gaúchos com 60 anos ou mais passou a ser maior do que o contingente de crianças e adolescentes de zero a 14 anos.

O fenômeno do amadurecimento da população é resultado da queda do número de filhos por mulher no país nas últimas décadas, combinado com a longevidade cada vez maior.

Uma tendência global, mas que no Brasil vem ocorrendo de forma mais acelerada do que em nações ricas que já fizeram esta transição.

E, no Rio Grande do Sul, em um ritmo mais veloz do que a média nacional.

A marca alcançada pelo Estado em 2019 só será atingida pelo Brasil em 2031, indicam os cálculos do IBGE, que serviram de base para a conclusão da SeniorLab. 

Ao mesmo tempo, Porto Alegre é a capital mais grisalha do país.

Isto nos leva a diversas conclusões, e a principal é, que estamos ficando velho, sem sombra de dúvidas.

Por diversas vezes já falei destes dados por aqui, mas não me canso porque não vejo por parte das autoridades que mexem com a população gaúcha, principalmente, políticas nobres para esta gama de pessoas.

Ao contrário…existe um descaso total e, prenuncio aí um erro crasso, no sentido de que, financeiramente (na maioria dos casos), este nicho já está com as suas situações totalmente estabilizadas, portanto, muito mais hábeis a consumir.

Mas, também existe o outro lado da moeda, ou seja, existem aqueles que refutam sob todas as hipóteses o passar do “seu” tempo.

Mesmo contra todas as evidências.

Caso clínico? Sei lá…não sou especialista no assunto, mas acredito que de uma boa análise são merecedores.

Existem tantos fatos que nos tornam vibrantes nesta época de nossas vidas, que nem devemos perder tempo com arrependimentos de que a vida passou.

Como enunciou Gabriel Garcia Marques – “Envelhecer é como escalar uma grande montanha: enquanto escala, as forças diminuem, mas o olhar é mais livre, a visão é mais ampla e mais serena.”

Caminhar e ter nas saudades a certeza de que realmente valeu a pena ter vivido, é um dos prazeres inigualáveis.

Temos tanto a vivenciar…basta saber escolher como queremos viver.

Nada melhor do que uma boa conversa com pessoas idosas e sábias; ter nossos amigos em volta, ouvir e saber dar conselhos; comungar das mesmas predileções; ter um violão para as noites de lua…uma lenha para aquecer no inverno; uma companhia, bons vinhos e bons livros…

Sim, existem regras, contudo, nós conhecemos as exceções.

A natureza é sábia e, mesmo que não se queira passar por este tempo, não tem como retornar.

O trem em que embarcamos só vai em frente e, temos a dúvida sempre de saber em que estação vamos desembarcar, mas, enquanto isso, viver é respirar momentos.

Ensinamentos doutrinários nos dizem que o livre arbítrio é o indicador de nossos destinos, portanto, fazer o melhor pelo melhor, é quase uma obrigação.

E, se a solidão invadir sua alma, jamais deixe “aquele bom vinho” para amanhã, tenha pressa sempre e todos os dias, em ser feliz.

Vamos esquecer que existe um tempo e não vamos contar os dias da vida.

Friederich Hölderlin – poeta alemão