CISMAS (Coluna de Opinião)

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SENHOR, LIVRAI-NOS DO MAL… 

        Quanta tristeza!

        Estamos no epicentro de mais uma grande calamidade em solo gaúcho.

– Senhor Meu Deus, nos livrai-nos de todos os males!

        Sim, precisamos de todo o apoio Dos Céus, pois que, no interregno de menos de um ano, nosso Rio Grande do Sul sofreu três enchentes de enormes proporções, todas elas.

        Falo por mim…não consigo mais ver e ouvir as notícias que estão em toda a mídia gaúcha…em todo o momento tenho lágrimas nos olhos…não posso ver e nem ouvir um relato de um desabrigado pela enchente com meia cintura dentro d’água, uma senhora com uma criança no colo só com a roupa do corpo e com os cabelos molhados, um guri carregando nos seus braços o seu cachorro de estimação, que ele lutou (tenho certeza disso), para salvá-lo…

        Não posso mais ver, pois que ouvir eles não possuem tempo nenhum para falar, dos corajosos bombeiros, das polícias, da nossa valorosa Brigada Militar, dos voluntários…que extremamente cansados, não param um minuto de lutarem em resgatar vidas em todos os lugares alagados…

        …é totalmente contra a minha vontade, mas as lágrimas teimam em umedecer meu rosto…exatamente agora quando escrevo para vocês…também.

        Teimosamente vejo as casas totalmente embaixo das águas…Sinimbu, Muçum, Encantado, São Jerônimo, Santa Maria…Meu Deus, são tantas as cidades, são tantos os nossos irmãos e irmãs em total flagelo, que a emoção me deixa fragilizado, mas preciso unir forças para vir aqui neste computador, neste teclado e tentar formatar um texto para dar o meu depoimento.

        Não é fácil.

        É uma matéria que lá atrás eu já estive abordando, por duas vezes e, jamais imaginei que em menos de um ano, voltaria a estas linhas para falar de tudo outra vez.

        Mas, reúno energia para tentar argumentar um assunto que ainda ontem conversava com minha filha Mariana Carretta, que é engenheira civil e com Doutorado em solos…e chegamos à conclusão de que hoje, bem diferente de lá do ano de 1941, quando Porto Alegre foi inundada pelo Lago Guaíba (segundo informações é a nova nomenclatura para falar daquele estuário), é preciso marchar para novas atitudes, novas tecnologias.

        Ou seja, hoje (não é amanhã, é hoje), novas e comprovadamente eficazes operações devem ser criadas e realizadas, de infraestrutura no nosso Estado.

        Está comprovado que a natureza se transformou, está comprovado pelos climatologistas que já de um tempo para cá nosso Estado vai sofrer tais intempéries, sempre.

        O fenômeno está radicado nos índices extremos de CO2 na atmosfera, nos desmatamentos, assoreamento dos rios e, em conjunto com os ventos quentes que chegam por um corredor vindo da Amazônia ao encontro com as frentes frias originadas da Argentina (que atribuo eu pela Cordilheira dos Andes), as tempestades se formam e vão castigar sem nenhuma cerimônia o Rio Grande do Sul.

        Com isso, a engenharia precisa ser acionada em sua criatividade máxima (estruturas de prédios, pontes, estradas, bueiros, ruas nas cidades, etc., etc.), para que desenvolvam uma infraestrutura ágil e comprovadamente eficaz, no sentido de que a natureza mudou, não é mais a mesma lá de 1941 (estão aí as comportas do Cais Mauá, que não funcionam mais…totalmente obsoletas).

        É disso que o nosso Rio Grande do Sul está precisando.

        Por favor, não fiquem em apenas reuniões inócuas, de comitês de estudos “tartarugos”, de equipes “lesmáticas” pensantes, de comissões políticas com integrantes moralmente reprováveis, que querem tirar proveito das calamidades públicas, principalmente na proximidade de eleições (isto é um total absurdo) …, não, isso não.

        Saibam (pois eu fiquei sabendo através da coluna do jornalista Marcelo Rech, em Zero Hora): “…pioneirismo, o Rio Grande do Sul conta com um dos mais renomados centros de ciências hídricas da América Latina – o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS.

        Temos os melhores experts no assunto e, a meu ver, são eles que se deve consultar e acatar as suas decisões sobre a infraestrutura no Estado em relação ao clima e suas decorrências.

        Enquanto isso só nos resta pedir a Deus proteção.

        Recentemente postei lá no meu Instagram (@krretta) e, serve para agora:

        “O mundo das explicações é nosso, de Deus, as razões” (Thyago)