Dia das Mães

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Aristides sempre foi aventureiro. Bom campeiro, tão logo completou os dezoito anos, ganhou o mundo. Como foi bem educado, não foi difícil encontrar colocação. Se empregou de campeiro numa fazenda na campanha.

Então era sábado. Dia de desmame. A fazenda se especializou em terneiros e o patrão adotou o desmame no caminhão. Pesava e embarcava os animais direto. Os machos, porque as fêmeas seriam desmamadas depois.

  • É mais fácil, não se perde peso e dá menos stress.

E assim fizeram. Tide levantou cedo, juntou os cavalos enquanto o capataz e o patrão mateavam. O gado pousou num potreiro, e não foi difícil levar tudo para a mangueira. Ali por umas dez e meia tudo estava pronto.

A tarde foi de folga, a semana fora puxada no serviço. Depois do descanso, foram todos jantar juntos. Um churrasco para comemorar o desmame.

O capataz com a patroa, o patrão com a família. E o Aristides. Comeram, tomaram cerveja e então o patrão levantou.

  • Levanto um brinde a minha mãe. Obrigado por ter sido boa comigo e parabéns pelo teu dia, amanhã.

Comeram um doce e foram dormir. Mais tarde, sem sono, no escuro do quarto, Aristides ouvia o mugido triste das vacas. A saudade batendo em forma de dor por causa do leite talhado nas tetas. Lembrou da mãe, dona Selvina. Sozinha em casa. Sem marido, os filhos soltos no mundo. Deveria estar vendo novela, ou dormindo talvez. Oigate mãe corajosa a minha, pensou.