Excepcional

0
1048
RS - RS/VENÂNCIO AIRES/ENCHENTE - GERAL - Desde segunda-feira, 29 de abril de 2024, chove forte na região do Vale do Taquari, no estado do Rio Grande do Sul. Nos bairros próximos ao centro da cidade de Venâncio Aires, residências e comércios foram atingidos pelo transbordo do Arroio Castelhano. Na manhã desta quarta-feira, 1º de maio, a água começou a baixar e alguns moradores conseguiram retornar às suas casas. 01/05/2024 - Foto: LEANDRO OSÓRIO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Sinto-me abençoado por não estar sofrendo com as devastações que assolam grande parte de nosso Estado. Aqui no Vau pouco estrago se registrou. Mas assisto, pela televisão e internet, notícias terríveis.

Sinto pena e angustia.

Por outro lado, penso nas razões dessa tragédia. Autoridades, lideranças e outros apontam o dedo para uma série de questões. A falta de previsibilidade, falta de preparo do Estado para o enfrentamento dessas crises. O agronegócio, o desmatamento, e por aí vai.

Tenho minhas ideias sobre isso. Primeiro, que existem estimativas das probabilidades de eventos dessa magnitude. Quando se calcula uma barragem de grande impacto, por exemplo, se estuda isso. Há eventos prováveis de ocorrer cada ano, cada década, cada século. E o que sabemos, até agora, é que ocorreu uma enchente dessa magnitude há 83 anos. Então, podemos dizer que ocorrem praticamente uma a cada 100 anos.

A não ser que aconteça de novo no ano que vem, ou em alguns anos. Aí será culpa, talvez, das mudanças climáticas.

Por ser um evento de ocorrência rara, pelo menos até agora, não temos adotado medidas preventivas. Mesmo que o muro de Porto Alegre tivesse funcionado perfeitamente, a situação nas ilhas seria catastrófica. O evento é tão raro, aliás, que cidades inteiras se desenvolveram as margens dos rios Taquari, Jacuí, Sinos e outros. Empresas foram edificadas, estradas, lavouras. Candelária, por exemplo, é uma povoação de quase 150 anos. Nunca tinha passado por isso.

O que prova a excepcionalidade do evento.

Entendo que as coisas são assim. Nada acontece, e as pessoas vão se instalando e edificando e fazendo suas vidas. O mesmo se dá depois de um evento desses. Como o caso da capital, que sofreu com uma enchente em 1941. No começo, todo mundo ficou assustado, pensou em ir embora, proibir as pessoas de construírem em áreas de risco, estruturas foram construídas para proteger de sofrerem. Mas o tempo passou, nada aconteceu e o pessoal foi perdendo o medo.

É assim que são as coisas.