Incêndio florestal não é brincadeira!

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Depois de um dia cheio de trabalho, sol a pino, veio o aviso. “Tem fogo no mato”, e lá se foram os quatro companheiros ver a ocorrência. Na carroceria da camionete levaram enxadas, rastéis, motosserra, soprador, gasolina, garfos e facões. Muitas vezes, quando o fogo ainda está no começo, e o acesso não é muito fácil, e principalmente sendo longe da cidade, é preciso atacar o fogo. O socorro dos bombeiros pode demorar e a situação sair do controle.

É inútil tentar apagar o fogo. Mais correto é fazer um acero, ou seja, varrer o chão para evitar que o fogo ultrapasse determinado ponto da floresta. As chamas dentro da floresta produzem fumaça, e a temperatura é quase insuportável. Vizinhos, retornando do serviço, se apresentaram para ajuda. Logo, havia um pequeno batalhão de, sei lá, sete ou oito homens lutando contra o inferno.

A noite entrou e o fogo finalmente arrefeceu. Estava sendo controlado. Mas é necessário permanecer no local, por um bom período, a fim de eliminar a possibilidade de surgimento de novos focos. A conversa é sempre a mesma. E acredito que seja a mesma em qualquer lugar do planeta. – Que calor! – Quem será que botou fogo? – Como pode alguém fazer isso? – Ih, já botaram lá na serra, lá na várzea, em todo lado. – Quer um pouco de água? Claro, dali a pouco a conversa fica mais leve, na medida em que o folego começa a voltar. Então, futebol. – Agora vai melhorar, o Douglas Costa aceitou baixar o salário pra só um milhão e meio. Risada geral, – manda embora esse cara! E o assunto passa para o inter, para qualquer coisa.

Então entraram no mato, recorreram todos os cantos e, quando houve uma boa dose de certeza, tomaram o rum das casas, para os merecidos banho e descanso.

Na volta, dentro da camionete, um dos amigos comentou: – hoje, quando estava molhando as mudas do pomar, vi uma toca de lebre em baixo de um monte de capim seco. Saíram duas lebrinhas bem pequeninhas. Já ia chamar a patroa pra mostrar quando lembrei dos cachorros, que estavam perto. Então disfarcei e saí, quieto. E os cuscos não viram!

– Bah, mas tu sabe que às vezes as lebres fazem danos nas mudas. Sei que nas acácias elas roem a casca. Disse um dos parceiros.

– E comem o feijão. Gostam também de amendoim, disse o outro.

– É, batatinha também.

Um silêncio repentino invadiu a cabine do veículo.

– Tá bem, amanhã vou lá e levo os cachorros então, respondeu o primeiro.

Outro silêncio. Pesado como a fumaça do incêndio. Mais prolongado que o outro. Por um pedaço da estrada não se ouviu nem respiração. Até que o mais jovem dos quatro, um rapaz de seus dezoito ou vinte anos falou, pela primeira vez.

– Pobrezinhos dos bichos.

– Mas é verdade, retrucaram os outros três, como se fossem um coro.

No escuro, cobertos de foligem, narizes sufocados de cinza e cansados, bem cansados, os amigos caíram na risada.