Moral de cueca

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O Brasil esperava avanços no tratado Mercosul – União Européia, durante a visita do presidente francês, Emmanuel Macron. O resultado foi o contrário. Ele, representando seu país, é contra. O argumento é que os europeus estão empenhados em conter as mudanças climáticas, e não podem comprar alimentos produzidos em países onde há desmatamento.

Explicando, seríamos favorecidos nesse acordo pela ampliação de venda de alimentos produzidos aqui, para lá.

Sou muito a favor da preservação. Não pela razão apresentada, mas porque aprendi a apreciar a natureza.

Todavia, entendo esse argumento como apenas uma justificativa, uma narrativa criada para impedir os europeus de comprarem nossos produtos. Os franceses são grandes produtores agrícolas, e fornecedores de seus vizinhos, e não querem perder seus clientes.

Agora, falando em meio ambiente, e preservação, as primeiras florestas que foram dizimadas foram as temperadas, justamente onde os franceses produzem atualmente. Não existe, por lá, área de reserva legal, onde não é permitido descaracterizar a paisagem. Aqui no sul do Brasil, a lei prevê 20 % das propriedades preservadas assim. No norte do país, região amazônica, a lei obriga 80 % de reserva. Fora as APPs, em torno da água. Que são intocáveis por aqui. E lá, não.

Nossa matriz energética é basicamente hídrica, eólica e solar. Ou seja, limpa. Na França, de cada três casas, duas são alimentadas por energia nuclear. Eles possuem bomba atômica. Durante o processo de aprendizado dessa tecnologia, explodiram 210 bombas em testes mundo afora.

Assim como eu, entendo que muitos brasileiros e europeus e outros habitantes do planeta, gostariam que os desmatamentos parassem, que o uso de energia perigosa fosse interrompido, que se cuidasse mais da nossa casa e da maravilha que é a vida. Nessa história do presidente francês, o que mais choca é o uso de argumento tão delicado, de forma não necessariamente sincera, por razões comerciais. Entendo que, enquanto esse tipo de comportamento, por parte de lideranças mundiais, persistir, não haverá esperanças de construirmos um mundo melhor.