Os ucranianos deixando tudo pra trás

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Hemingway foi um escritor norteamericano do século passado. Ganhou um premio Nobel, e sua obra mais conhecida chama-se “O Velho e o Mar”. Escreveu, também, muitos contos. Que são muito bons de ler. Alguns, autobiográficos, falam sobre pescarias e sua convivência, na juventude, com uma tribo indígena, onde seu pai, que era médico, praticava seus conhecimentos.

Foi um cara muito viajado, participou de guerras, relatou a revolução espanhola, e esses relatos tornaram o homem famoso.

Contou sobre outras guerras também. Essa semana, enquanto eu assistia as transmissões da invasão russa na Ucrânia, lembrei dele. Tem um conto, não lembro o nome, e nem lembro muito bem da história, por isso vou relatar o que minha memória permite. Mas ele contava estar em uma ponte, cuidando o deslocamento de refugiados de uma dessas inúmeras guerras que volta e meia acontecem.

No meio daquele monte de gente, surge um velho, judiado, maltrapilho, cansado. O velho saiu da estrada e sentou numa pedra. O escritor, então soldado, se aproximou e tem uma conversa com o homem velho. Além de cansado, ele estava preocupado que o que havia deixado em casa. Principalmente algumas galinhas e uma cabra.

Depois de um tempo, ele diz, – as galinhas até que não são o problema. Elas sabem se virar, mas a minha cabra não vai saber o que fazer. Ela precisa de mim.

Do que eu lembro, o homem acaba levantando e seguindo a jornada.

Coisa braba, isso! A gente vê aquela quantidade enorme de gente nas estações de trem, nas estradas em engarrafamentos, ou mesmo à pé. Estão deixando para trás as casas, a rua, o bairro, as plantas da casa, os amigos, os bichos que andavam na volta. Tudo porque os cabeçudos não conseguem se entender.

Cá para nós, tem crueldade nesse mundo.