PAPO-RETO (Coluna de Opinião)

0
625

CERTO, CERTÍSSIMO

        Pois nestas minhas andanças por livros, jornais, revistas, redes sociais, citações, expressões e tal, deparei-me com uma crônica do jornalista (in memoriam), Wianey Carlet, publicada em Zero Hora, no ano de 2000, que transcende o inimaginável daquela época e desagua, com uma realidade absurda, nos dias de hoje.

        Dizia ele, com a desenvoltura e conhecimento que lhe era peculiar, de que o futebol brasileiro, como mundial, estava partindo firmemente no início daquele milênio para o selvagem mercantilismo.

        O que iria determinar o arrefecimento da paixão do torcedor, pois que tudo giraria a base do dinheiro, dos salários astronômicos e, da remuneração dos dirigentes, em detrimento ao futebol raiz.

        Confesso a vocês de que fiquei totalmente boquiaberto pela aptidão deste jornalista em profetizar com muita naturalidade o futuro do futebol mundial e, que, vamos combinar, estava totalmente com razão, pois é o que hoje estamos vivendo e convivendo.

        Dizia ele, inclusive, que lá no ano 2000, começava na Europa um movimento dos jogadores profissionais dos grandes times em formatar regras para a exibição “das suas obras de artes”, nas televisões do mundo inteiro.

        Ou seja, que fique bem claro, pois as obras de arte de qual estavam a falar era os seus gols e, que, nos programas jornalísticos, a cada reexibição dos seus gols, deveriam eles serem remunerados.

        Pois muito bem, e daí Wianey Carlet, com muita lucidez questionava o fato de que, também o jogador quem deu o passe, deveria ser remunerado, pois o futebol é um esporte coletivo.

        Mas, e os goleiros, e os zagueiros…nunca seriam beneficiados?

        Afirmava Wianey de que tal movimento poderia não resultar em nada, mas que o mercantilismo ilimitado no futebol mundial, seria inevitável, transformando-se em um grande balcão de negócios.

        E, mais uma vez ele tinha total razão.

        Estava certo, certíssimo!

        E, em assim sendo, em poucos anos, todos os clubes brasileiros estariam diante da necessidade de montar uma equipe a cada entrada de um novo ano.

        Pois aí estão, não só Grêmio como Inter, mas a grande maioria dos clubes de futebol do mundo inteiro, que também, a cada fim de temporada, consolidado os propósitos, são desmontados.

        Volto a frisar: este excelente jornalista que foi Wianey Carlet, estava totalmente com a verdade em sua premonição.

        Um bárbaro, no bom sentido, pois que ainda foi mais adiante e, opinou que este mercantilismo haveria de proporcionar aos times grandes, as maiores chances de angariar títulos, tendo em vista possuírem maiores condições financeiras para contratarem os melhores jogadores.

        Mais uma grande verdade, ou seja, quem tem dinheiro tem plenas condições de contratar os melhores…e assim é que hoje, se caminha nas entranhas do futebol mundial.

        Teria eu muito mais a falar e a elogiar a limpidez estonteante deste excepcional jornalista, mas deixo com vocês uma de suas frases, no meio daquela transparente, sensata e firmada crônica, a saber:

“A liberalidade selvagem do futebol indica que este esporte, que se realiza plenamente no coletivismo parido pelo tempo de convivência, será cada vez menos associativo”.

Wianey Carlet – Zero Hora – ano 2000