PARANÓIA INFORMÁTICA

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Mas e não é para desconfiar quando se abre um aplicativo qualquer e, do nada, aparece em oferta justamente um negócio que a gente estava pensando em comprar?

– Mas que coincidência!

Coincidência nada, o mundo da informação é tenebroso. A gente nem pensa, nem nota, mas do outro lado das maquininhas existe toda uma rede de observação. E, pensando bem, nem é tão difícil assim de montar uma coisa dessas.

Na informática, tudo é sim ou não. Um ou zero. Abriu o site? 1. Não abriu, zero. Olhou um parafuso? 1. O cara olhou ferramenta? 1. Pesquisou preço? E são milhões de perguntas, e gráficos de resposta. Então, se olhou um parafuso, pode gostar de chave de fenda, de mecânica, carpintaria, trabalhos caseiros.

Respondendo a essas perguntas, a rede lança para cada usuário imagens de produtos. E observa se o cara olha ou não, se pesquisa preço, qualidade, e descobre o que leva cada um a comprar.

Tudo a partir do que se manuseia. Mas tem mais. E essa eu achei bem forte. Um amigo que trabalha com essas coisas levantou a hipótese de que os smartphones podem “ouvir”. Afinal, existe aquela vozinha com quem se pode falar no telefone. A maioria de nós tem isso como um brinquedo, mas a questão é que ela responde ao que falamos. E isso, segundo meu amigo, é porque pode ouvir e entender. Assim, existe a possibilidade de, mesmo não sendo acionado, esse aplicativo permanecer ouvindo e transmitindo o que compreende.

Talvez seja por isso que, de vez em quando, aparece uma oferta de alguma coisa que a gente nem mesmo pesquisou. Só pensou, e conversou com alguém a respeito.

Um prato cheio para os paranoicos. Estamos sendo vigiados. Por enquanto, vigiados e persuadidos a consumir. Não podemos ter noção de onde vai chegar isso.

Fico imaginando esses aparelhinhos ouvindo e anotando tudo que conversamos. E se começarem a vender nossas conversas? Ai, sim, vai dar briga. E se começarem a nos manipular no trabalho, nas escolhas políticas (como se já não fizessem!), nas nossas crenças religiosas.

Cruzes, que saudades do tempo em que a comunicação era por sinal de fumaça.