Protestos dos produtores rurais na Europa

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Os produtores rurais europeus estão realizando protestos em vários países do continente. Protestos de verdade. Fechando rodovias, sitiando capitais e produzindo quebra-quebras. O motivo é a inconformidade com leis aprovadas pelo parlamento europeu, que supostamente promoveriam benefícios ambientais, mas que causam prejuízos aos agricultores.

Resumidamente, um aumento no imposto sobre o diesel, que resulta em aumento de preços e, consequentemente, dos custos de produção. Restrição ao uso de alguns defensivos químicos, provocando dificuldade de produção, e a obrigação da prática de pousio de área. O equivalente a quatro por cento da área cultivada por cada produtor deveria ficar sem uso, por ano. O que provoca uma diminuição do total produzido e da renda dos produtores.

Para compensar essa diminuição de área, a comunidade europeia assinaria um acordo com o Mercosul, para importar mais alimentos.

Os produtores possuem argumentos fortes para defender sua posição. Durante as guerras, houve fome por lá. E a fome ficou gravada no dna dos europeus. Assim, embora uma parcela mínima da população do continente se dedique a essa atividade, existe muito respeito por quem planta e colhe. Assim, se a vida dos produtores pode se tornar inviável, todos pensam na possibilidade de passar fome.

Quanto aos benefícios ambientais, um argumento interessante: por causa da guerra na Ucrânia, que privou o continente de parte do gás adquirido da Russia, novamente as usinas de energia elétrica movidas a carvão foram acionadas. A poluição do ar aumentou muito. Os produtores, então, defendem-se dizendo que na sua atividade nada mudou, a emissão de gases continua igual, e não aceitam diminuir sua atividade por causa da poluição gerada em outra atividade.

Como resposta, os governos propuseram-se a rever todas as leis. O que significa que tendem a continuar usando o tanto de óleo que usavam, o tanto de produtos químicos que usavam e a não fazer pousio de área. Sempre é bom lembrar que os europeus não precisam preservar 20 % de suas terras como nós, gaúchos. Nem mesmo as áreas de preservação permanente, porque embora tenham sistemas de proteção a seus rios, essas áreas também são usadas para produzir alguma coisa.

De tudo isso, ficam algumas conclusões. Primeira, que os produtores europeus nos dão exemplos de como defender seus direitos. Segundo, que percebemos que enquanto baixamos as orelhas para determinações como a da França, que propõe não comprar produtos agrícolas de países onde haja desmatamento, lá não há a preservação que promovemos. O que não significa que não seja necessário preservar, mas sim de que é preciso perceber a hipocrisia dos fatos. Por último, percebe-se como que uma permissividade dos governos com os protestantes, permitindo protestos violentos e revendo leis. O recuo das normas aprovadas deixa uma pulga atrás da orelha. Quem sabe não estão deixando as coisas andarem do jeito que andam com a finalidade de impor dificuldades aos países do sul, forçando assim uma queda no preço de seus produtos?