Tiririca

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Acho que o inço mais terrível que se pode lidar numa horta doméstica é a tiririca. De pequena quase insignificante, parece uma graminha. Mas cresce, e consome muito nutriente. Incomoda mesmo. Na minha horta tem à vontade.

Estive fazendo uma breve pesquisa sobre essa planta, que tem por nome cientifico Cyperus rotundus. Considerada a maior invasora do mundo, nasceu na India, mas se desenvolve muito bem em climas quentes. Como curiosidade, é a planta que suporta mais calor no mundo. Já o nome tiririca foi dado pelos nossos índios, tribo Tupi.

O trunfo da tiririca é sua capacidade de se esparramar. Forma pequenos rizomas subterrâneos, e deles saem os pequenos tubérculos arredondados, que podem dar origem a muitas novas plantas. Muitas vezes, quando se arranca uma tiririca, sai somente a parte aérea e os rizomas, essas raízes. Ficam os tubérculos e é como se nada tivesse acontecido. Em seguida brota tudo de novo.

Outro dia, estávamos capinando a horta, aqui em casa. Eu queria fazer a capina e logo irrigar as plantas, para ter uma recuperação rápida de crescimento. O rapaz que estava trabalhando comigo, pelo jeito mais sabido que eu, sugeriu deixar o sol queimar as plantas que havíamos capinado. Boa ideia, funcionou, e descobri que é um bom método de controlar. Porque a tiririca, se arrancada, e depois irrigada, brota de novo.

Bem, essas plantas não são muito resistentes a herbicidas. E é a forma mais pratica e talvez mais eficiente de limpar horta ou jardim. E aí fica a critério do dono, pois muita gente tem por norma não usar produtos químicos em suas hortas ou pomares. Como dizem, “se for para usar veneno, compro de quem usa”.

Um aspecto interessante dessa história é que a tiririca não é somente um monstrengo inimigo. Tem características muito interessantes. Por exemplo, os tubérculos, ou batatinhas, que se arranca com as plantas (quando se consegue), e as próprias folhas, são ricos em hormônios do crescimento. A pesquisa me indicou que devem ser bem esmagados, e coletado o líquido que formam. Esses hormônios são muito uteis para o crescimento inicial de plantas transplantadas, para enxertia e outras coisas que precisam de motivação para crescer. Minha pesquisa também mostrou propriedades farmacêuticas na tiririca. Tem elevado valor nutritivo, fortalece o sistema imunológico, pode ser usada no alivio da febre, das inflamações, além de combater infecções e vermes.

Agora fiquei na dúvida, se os índios teriam batizado a planta porque era um inço ou porque era uma remédio. Talvez a segunda opção seja certa, pois os índios usavam muito as plantas como remédio. Engraçado que, seguindo minhas leituras, encontrei indicações para a tiririca no combate a diversas doenças venéreas, e inclusive uma alusão ao poder afrodisíaco da planta.

Enfim, vendo todas essas características, fica um sentimento de pena em relação ao uso de produtos químicos. Pobre da planta, um inço tão útil. Para dizer a verdade, dá vontade de esquecer batatas, cenouras e alfaces e começar a cultivar tiririca.