Especialistas abordam preparação dos idosos para o convívio com a tecnologia

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O Grupo Executivo de Acompanhamento de Debates (Gead) do Fórum Democrático promoveu na tarde desta segunda-feira (8) painel de debates sobre educação, inclusão e envelhecimento. A atividade em formato híbrido do Fórum Democrático registrou a presença de entidades, gestores públicos, médicos e pesquisadores que mostraram os desafios que as pessoas acima dos 60 anos passam a enfrentar, em especial com a tecnologia, no estado que é o de maior envelhecimento do país, com 14% da população nessa faixa, e a capital na segunda posição em envelhecimento e com maior número de idosos que vivem sozinhos, com independência e autonomia.
Na abertura, o presidente do Fórum Democrático, Eduardo Krause, explicou que a temática foi encaminhada por cinco entidades, como o Instituto dos Amigos do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, a Cruz Vermelha, Sindinaps, Associação Gaúcha de Distrofia Muscular, e a Associação Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Previdência Social, cujas atividades foram publicizadas durante o evento através de vídeos.
Logo em seguida, o presidente da Assembleia, deputado Gabriel Souza (MDB), referiu a necessidade de o estado estar adaptado com políticas públicas para a faixa etária acima dos 60 anos, grupo que no país é de 34 milhões de pessoas, 16,2% da população. “Tenho debatido sobre a necessidade de o poder público estar sempre em simetria com a sociedade”, revelando pesquisa promovida pela Assembleia que apontou 35% de demandas represadas no sistema de saúde do estado em função da pandemia. Em torno de 1 milhão de cirurgias aguardam agendamento e Souza sugeriu ao governo mutirões para agilizar esses atendimentos.
Idosos tecnológicos 
O diretor no Instituto Essência do Saber, Mário Poll, doutor em educação na área de criatividade da educação, apresentou o tema da inclusão e envelhecimento. Como pesquisador na PUC, explicou os avanços da tecnologia e a dependência que promove no mundo, onde as crianças nascem com esse aprendizado e aos mais idosos cabe aceitar e se adaptar aos benefícios que, em resumo, promovem bem estar e qualidade de vida. “O mundo tecnológico foi feito para todos, depende da compreensão que temos e a aceitação para o uso dessa tecnologia”, explicou, ponderando que há uma defasagem da faixa etária dada aos idosos, a partir de 60 anos, quando a expectativa de vida no país era de 52 anos, mas hoje homens vivem 76,8 anos e as mulheres 78,2 anos. Disse que em 2100 o Brasil terá 76 milhões de idosos, ou um terço da população, situação que a Suíça e Suécia já vivenciam e enfrentam através do cotidiano tecnológico. Por isso, fala em “idoso tecnológico”, capaz de usufruir dos benefícios que pode alcançar de casa, sem deslocamentos e riscos no ambiente externo, utilizando os aplicativos em celulares para acessar bancos, projetar viagens, agendar consultas e tantas outras atividades, numa posição de autonomia. E as empresas se preparam para acolher esse público, com serviços e negócios direcionados para atendê-lo. O professor recomenda, ainda, cautela no consumo de tudo o que será oferecido, através da seleção, o que será possível diante da adaptação ao modo tecnológico de viver dos idosos.
A diretora do Instituto Essência do Saber, Lisiane da Silva, enfatizou que o desafio da educação e inclusão está na adaptação, uma vez que as crianças nascidas neste século viverão no século 22, em 2100, justificando a necessidade de a geração anterior, na faixa dos 50 anos de idade, aceitar o aprendizado como “a grande jogada desse momento da vida” para se manter na sociedade de profunda transformação.
O diretor do INSS, Alberto Alegre, informou que desde 2017 os serviços estão totalmente digitalizados, com quase 100% em meio digital, pelo computador e celular. Essa realidade atinge 27 milhões de brasileiros acima de 60 anos com algum tipo de benefício do Regime Geral de Previdência, nas capitais e interior e trabalhadores rurais, gerando renda em todo o país, mensalmente e sem atraso, de R$ 45 bilhões. No RS, 2,4 milhões de aposentados recebem mensalmente R$ 3,3 bilhões do INSS. Em Porto Alegre, são 325.115 aposentados que colocam R$ 700 milhões em circulação na cidade. O diretor destacou, ainda, que na capital, na semana passada, foi inaugurada a primeira agência de Autoatendimento Orientada, na rua Jerônimo Coelho, 127, no centro da cidade, com oito terminais e dois para cadeirantes, e serviço de orientação de estagiários. Alegre explicou que é uma forma de reaproximação das pessoas idosas, que ainda buscam as agências e encontram dificuldades de adaptação ao modo digital.
A gerontóloga Neisa Machado Fernandes, cuja atividade médica está voltada para assegurar a qualidade de vida e bem estar aos idosos, abordou a gestão do envelhecimento, que ela definiu como “tudo que vem antes de adoecer, antes de precisar de alguém para cuidar”. Ensinou que se trata de programação do futuro, definições para a fase de envelhecimento, recusando o medo da velhice, processo que se inicia ao nascer e vai se tornando agudo a partir da juventude. Ela elogiou o Sistema Ùnico de Saúde do país ao referir que o acesso universal é uma ferramenta que alinha todos para o acesso à gestão do envelhecimento, cujos passos iniciais estão resumidos na prevenção de saúde, boa alimentação, exercício físico, objetivo na vida, mente saudável. Ensinou que as relações são fundamentais neste momento da vida, observando que o confinamento na pandemia foi uma experiência que vai repercutir nos idosos do futuro. No estado declarado mais envelhecido do país, com 14% da população de idosos, e na capital com segunda população mais envelhecida e maior número de idosos que moram sozinhos, com independência e autonomia, a gerontóloga comemora como resultado da educação em saúde e intervenção da sua especialidade. Mas recomendou educação financeira para enfrentar o futuro como idosos, uma vez que em caso de dependência de terceiros, o país não dispõe de espaços públicos para acolher essa população. As Instituições de Longa Permanência para Idosos, ILPIs, regulamentadas desde 2005, em sua maioria são privadas.
O médico Gilberto Schwartsmann fez diversas recomendações a respeito de cuidados básicos dessa população, em especial para prevenção das doenças que mais levam a óbito, em torno de 50%, como pressão alta, diabetes, obesidade, e cânceres de pele, pulmão, mama, próstata, colo de útero e boca. Também traçou recomendações a respeito de causas externas, como a morte violenta no trânsito ou por violência física, muitas vezes decorrentes do consumo excessivo de álcool, responsável por 10% das mortes.
O vice-presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara Federal, deputado Ossesio Silva, pediu atenção ao ageísmo, que é o preconceito e discrimianção contra as pessoas idosas e se manifesta de forma cruel com esse grupo humano, repercutindo em doenças físicas e psíquicas. Também observou que os espaços públicos e o transporte coletivo muitas vezes não estão capacitados para acolher as pessoas idosas, que são submetidas a maus tratos e longas esperas.
Também se manifestaram o presidente da ANAPPS, Nilton Belsarena, e o advogado Pedro Duarte; o vereador Alvoni Medina, pela Frente Parlamentar em Defesa do Direito das Pessoas Idosas da Câmara de Vereadores de Porto Alegre; secretários municipais da Habitação e Regularização Fundiária, André Machado, e do Desenvolvimento Social, Carlos Simões Filho; e FASC.
Fonte: Agência de Notícias